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Bahia registra um acidente de trabalho a cada 44 minutos

No Brasil foram registrados cerca de 3,993 milhões de acidentes de trabalho de 2012 até ontem, o que equivale a um acidente a cada 48 segundos. Só na Bahia 74.236 ocorrências foram registradas no mesmo intervalo de tempo, o que corresponde a um acidente estimado a cada 43m 44s. Os dados são fruto de um levantamento feito pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), e divulgado ontem.

Ainda na Bahia, do número total de pessoas afastadas do trabalho pelo INSS, 52% (31.082 trabalhadores, em números absolutos) são vítimas de acidentes enquanto outras 47,75% (28.361) foram afastadas por doença. A quantidade de homens afastados (42.497 ou 69,84%) é mais que o dobro de mulheres (18.356 ou 30,16%).

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), acidentes de trabalho custaram cerca de R$ 26 bilhões à Previdência entre 2012 e 2017. Os recursos foram gastos com auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, pensão por morte e auxílio acidente. A quantia equivale a 9,7% do déficit apontado na Previdência. Só este ano, as despesas já somam quase R$ 800 milhões do orçamento público.

Além disso, com base em cálculos da OIT, o procurador do trabalho e co-coordenador do laboratório de gestão (SmartLab de Trabalho Decente), Luís Fabiano de Assis, afirma que o país perde, anualmente, 4% do seu Produto Interno Bruto (PIB) com gastos decorrentes de “práticas pobres em segurança do trabalho”.

Segundo Assis, no ano passado, estas perdas gerais à economia com acidentes de trabalho foram equivalentes a cerca de R$ 264 bilhões. Para os procuradores do trabalho, os números “alarmantes” são apenas a “ponta do iceberg”, não representando a real dimensão do problema. Assis ainda acrescenta que as notificações não vem caindo. “Quando analisamos o número de [trabalhadores] expostos [ao risco de acidente], o número de contratos de trabalho existentes, o número de acidentes não caiu em comparação a 2016. Ele se manteve estável”. A pesquisa ainda se baseou nos dados para contabilizar a quantidade de dias de trabalho perdidos com afastamentos previdenciários.