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Desistências e desligamentos aumentam nas universidades brasileiras

 

Apesar dos avanços nos últimos anos, os números não deixam mentir. O acesso ao ensino superior no Brasil, bem como a permanência dos estudantes nas faculdades, ainda são desafio. Ano passado, 2,9 milhões de brasileiros entraram para a faculdade, o equivalente a 1,9% do total da população do país com idade superior a 18 anos – 154 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em meio a uma disponibilidade limitada de cadeiras, chama a atenção o volume de estudantes matriculados que deixam seus cursos para trás. Nos últimos cinco anos, a quantidade de vagas ociosas cresceu 36%. A cada 10 estudantes que se matricularam, cerca de três desistiram (27,6%). Em Minas Gerais, a proporção é de dois a cada 10 alunos, de acordo com dados do Censo da Educação Superior.

 

Entre 2012 e 2016, foram efetivadas 52.823.094 matrículas no país, das quais 14.575.418 foram deixadas de lado. Em Minas, foram 5.0254.881, das quais 1.119.866 se tornaram ociosas. A quantidade de vagas que foram dispensadas cresceu ano a ano em números absolutos, chegando a 3.392.025 no ano passado. Os motivos são os mais diversos: matrículas trancadas, desvinculadas, transferência para outro curso na mesma instituição e alunos que faleceram.

As matrículas desvinculadas respondem pela maior parte desse bolo. Elas dizem respeito a estudantes desistentes e desligados, ou seja, alunos que por iniciativa da instituição tiveram a vaga cancelada – por abandono, descumprimento de alguma condição ou desligamento voluntário (quando o aluno sai da faculdade, mas não formaliza o cancelamento). E, nesse cenário de abandono, o baque maior é nas instituições privadas.
Embora altos, os números permaneceram estáveis até 2013. Em 2014, houve aumento considerável de vagas ociosas (na casa de 400 mil) e, em 2015, explodiu, ultrapassando os 3 milhões. O período coincidiu com o fim do apogeu dos programas de sustentação do acesso e permanência no ensino superior e com o início de problemas envolvendo, principalmente, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

ONDA DE PROBLEMAS No fim de 2014, ainda na gestão Dilma Rousseff (PT), instituições privadas ficaram sem receber o pagamento do governo federal, o que obrigou, no início do ano seguinte, faculdades e universidades a se mexerem para não entrar em colapso, por causa de mudanças no repasse do dinheiro devido pela União. Além dos problemas administrativos, milhões de alunos que dependiam do crédito passaram a ficar à mercê de uma onda de financiamentos incertos, contratos não renovados e, mais tarde, da limitação das vagas nos semestres seguintes devido a novas regras.
O reflexo, somado à crise econômica, foi a dificuldade para adesão e cumprimento dos critérios de acesso por parte dos alunos, segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Sólon Caldas. “No que tange à permanência no ensino superior, as mudanças ocorridas também deixaram de permitir que o aluno com dificuldades financeiras pudesse recorrer ao financiamento, o que fez com que a evasão aumentasse e esses alunos ficassem de fora do sistema”, diz.
Ele lembra também os números do Censo segundo os quais houve queda também nas matrículas de novos ingressantes de 2014 para 2015 e mais ainda de 2015 para 2016. O freio no acesso ao ensino superior brasileiro, que vinha crescendo desde 2009, foi sentido pela primeira vez em 2015. A redução de ingressantes foi de 6,1%. Naquele ano, o país perdeu 190.626 novos alunos em relação ao ano anterior – a rede privada foi a mais afetada, com uma perda de 176.445 universitários. Nos cursos presenciais, as novas matrículas somaram 2.142.463 no ano passado. Em 2015, eram 2.225.663 (redução de 3,7%). “Em 2016, tivemos um crescimento negativo no ensino presencial em decorrência da falta de financiamento para os alunos que não têm condições de arcar com o investimento em educação”, afirma Sólon Caldas.

Fonte | Em.Educação