domingo , dezembro 16 2018
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Fundador do WhatsApp deixou US$ 850 milhões para trás ao sair do Facebook

Você deixaria US$ 850 milhões para trás em troca da defesa de um princípio? O cofundador do WhatsApp, Brian Acton, que deixou o Facebook em setembro do ano passado, revelou ter feito exatamente isso à revista Forbes nesta semana. Em entrevista exclusiva, Acton contou à publicação que teve diversas divergências com Mark Zuckerberg e a liderança do Facebook sobre o rumo que o aplicativo de mensagens, usado por 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo, deveria tomar nos próximos anos.

Acton contou que Zuckerberg e a direção do Facebook buscavam formas de ganhar dinheiro com o aplicativo, mas que iam contra suas convicções. Entre elas, a exibição de anúncios publicitários dentro do WhatsApp e a utilização de dados dos usuários para gerar relatórios que “melhorassem a performance” de parceiros da plataforma. Segundo Acton, ele e Jan Koum, o outro cofundador do WhatsApp, odiavam anúncios. Koum deixou a empresa em abril; segundo fontes próximas, ele também decidiu sair após sofrer pressão de Zuckerberg.

Além disso, diferenças de cultura se somavam entre as duas empresas: enquanto o mote do Facebook foi, durante muito tempo, “se mova rápido e quebre coisas”, o do WhatsApp era “leve o tempo que precisar para fazer direito”. Durante algum tempo, Acton tentou demover o conselho do Facebook de implementar esses planos, tentando encontrar outra forma de ganhar dinheiro com o WhatsApp – as respostas que recebia, porém, é de que suas ideias não conseguiriam ganhar escala o suficiente.

 

Ações. Ao vender o WhatsApp para o Facebook, Acton passou a ser mais um bilionário – em ações da rede social. No entanto, como é comum em contratos desse tipo, ele precisava passar um tempo ainda dentro da empresa para ter direito a essas ações. Ao se ver em disputas cada vez mais fortes contra o Facebook, ele percebeu que era melhor ir em frente. Até tentou usar uma das cláusulas de seu contrato, que dizia que teria direito às ações integrais caso o Facebook tentasse implementar uma política de monetização contra a vontade dos fundadores do WhatsApp.

Em uma reunião com Zuckerberg e os advogados da empresa, Acton recebeu uma negativa: a cláusula dizia respeito à implementação em si, e não a testes, que era o que o Facebook dizia fazer na época. Segundo Acton, o presidente executivo do Facebook tinha uma mensagem simples para ele na reunião. “Ele estava querendo dizer algo como ‘essa é provavelmente a última vez que você fala comigo'”, disse o cofundador do WhatsApp à Forbes.

Apesar disso, Acton não guarda rancor: “eu vendi minha empresa e tenho de lidar com as consequências disso”. Segundo ele, “os executivos do Facebook são bons homens de negócio, mas acreditam em práticas com as quais eu não concordo.”