quarta-feira , outubro 24 2018
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Planalto gastará R$ 20 mil em aparelhos para Temer discursar


Presença quase invisível, ele estava lá ao lado de Michel Temer: na sexta-feira (15) na posse de Carlos Marun como ministro da Secretaria de Governo, no discurso de posse como presidente interino, em maio de 2016, e no pronunciamento após a primeira denúncia contra ele apresentada pelo então procurador-geral Rodrigo Janot, em junho.

O “teleprompter” (ou TP, aparelho comum na televisão, que exibe o texto a ser lido pelo apresentador diante da câmera ou da plateia) virou acessório tão importante para Temer que a Presidência gastará agora até R$ 20 mil na compra de dois novos. Os dois hoje disponíveis, diz o governo, são insuficientes.

Segundo assessores, o peemedebista tomou gosto pela ferramenta, que ajuda a dar mais naturalidade à fala. Com o maquinário, o texto é projetado em duas placas transparentes colocadas uma de cada lado à frente de Temer, de modo que ele possa se movimentar sem perder as palavras de vista.

Vistos de longe, os painéis do tamanho de uma folha A4 parecem simples aparatos de vidro. As frases, que vão deslizando na tela sob o controle de alguém que opera o sistema num computador, são enxergadas só do púlpito.

ORATÓRIA

Advogado e político veterano, Temer já era tido como de boa oratória. O presidente nem sempre segue à risca o texto previamente escrito.

Na cerimônia de quinta no Planalto, arriscou até citar um verso de “Disparada”, música famosa na voz de Jair Rodrigues. “Prepare o seu coração para as coisas que eu vou lhe contar”, disse, virando-se para o ministro Marun.

O pregão aberto pela Presidência prevê pagar até R$ 9.896 em cada um dos dois TPs (incluindo monitores, cabos, suportes e o software que faz o texto rolar).

De acordo com o edital, é necessário comprar mais equipamentos porque o transporte dos atuais para viagens é demorado (eles vão antes de Temer, em aviões da Força Aérea Brasileira, e nem sempre voltam a Brasília a tempo para outros eventos).

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) também usava TP com frequência. Em reunião ministerial em 2015, ela se queixou ao operador: “Podia passar mais rápido, por favor?”. Segundos depois, fez uma pausa e apanhou papéis sobre o púlpito. “Eu vou preferir ler, sabe?”.