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Projeto de igualdade racial e de gênero de Colégio em Ibirapitanga é apontado como referência para o Brasil

O projeto ‘Diálogo para a Diversidade’, desenvolvido no Colégio Estadual Paulo César da Nova Almeida, localizado no município de Ibirapitanga (360 km de Salvador), está sendo apontado como uma referência para o Brasil, pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), uma organização não-governamental que produz conhecimento, desenvolve e executa projetos voltados para a promoção da igualdade de raça e de gênero. Pelo projeto, a unidade escolar recebeu o prêmio ‘Educar para a Igualdade Racial e de Gênero’, em 2015, e, nesta segunda-feira (24), técnicos do CEERT visitaram a comunidade escolar para saber o impacto da ação pedagógica na vida dos estudantes.

O sociólogo e pesquisador do CEERT, Mário Rogério da Silva, integra a equipe que está visitando o colégio. Ele informou que o CEERT selecionou três mil práticas exitosas em todo o Brasil e a unidade escolar baiana está entre as 10 que servirão de exemplo para outras escolas. Para tanto, estão sendo produzidos materiais sobre o projeto, incluindo audiovisuais, que serão disponibilizados para no Portal do CEERT (http://www.ceert.org.br/) e para instituições de ensino públicas e particulares do Brasil. Segundo o sociólogo, o diferencial do trabalho desenvolvido com os estudantes de Ibirapitanga é o incentivo ao diálogo. “É uma iniciativa muito interessante porque os alunos interagem, cada um com sua cultura e visão, sobre as dificuldades encontradas no dia a dia, em casa e na sua comunidade. Observamos que a prática impactou positivamente a vida dessa comunidade”, afirmou.

O professor Francisco Cruz do Nascimento, idealizador do projeto, concorda. Segundo ele, o projeto trouxe vários benefícios tanto para os estudantes quanto para os professores, que, conforme explicou, tinham dificuldade em falar sobre temas como racismo e diversidade de gênero. “Fizemos um trabalho de conscientização, oficinas de teatro e os temas passaram a ser abordados com mais naturalidade. Com isso, reduzimos bastante o preconceito e elevamos a autoestima dos nossos estudantes. O resultado não poderia ser melhor, tivemos uma elevação no índice de aprovação e reduzimos a evasão escolar”. Para o professor Francisco, a premiação foi essencial para o fortalecimento do projeto. “O reconhecimento foi essencial porque professores e a gestão ampliaram o foco do pedagógico para as questões étnico-raciais”, completou o professor, que foi convidado pelo CEERT para ser consultor nacional da instituição.

O secretário da Educação do Estado, Walter Pinheiro, destaca a amplitude dos projetos desenvolvidos na rede estadual. “A Secretaria tem incentivado a realização destes projetos envolvendo estudantes, professores e as comunidades onde as escolas estão inseridas. São práticas que abrem as escolas para o enfrentamento dos problemas do quotidiano, contribuindo para a formação plena dos estudantes”, afirmou.

O prêmio – Realizado pela primeira vez em 2002, o Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero constituiu um acervo de mais de 3 mil práticas pedagógicas e de gestão desenvolvidas no país. A iniciativa tem os objetivos iniciais de identificar, difundir, reconhecer e apoiar boas práticas pedagógicas e de gestão escolar que promovam, reconheçam e valorizam a diversidade étnico-racial nas escolas.