sexta-feira , setembro 21 2018
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Viúvas se despedem de Mr.Catra durante velório com funk e gospel

Com a presença de muitos dos familiares, amigos e admiradores que acumulou em 49 anos de vida, Mr. Catra foi velado na noite desta segunda-feira, no Teatro João Caetano, no Centro. O corpo chegou por volta das 21h20, vindo de van de São Paulo, onde o funkeiro morreu por decorrência de um câncer gástrico.

No início da cerimônia — que terminou com baile funk —, uma roda de oração com cânticos gospel foi formada ao redor do caixão de Catra. Segundo Sheila Silva, primeira mulher do músico, o cantor e compositor “aceitou Jesus no leito da morte”. Outros presentes também pediram a palavra para compartilhar testemunhos.

Sheila estava acompanhada por Augusto César, um dos dois filhos que teve com Catra (ele é pai de 32, de diferentes mulheres).

— Era uma ótima pessoa, uma paizão, ajudava todo mundo. Vocês não têm noção do que ele era. Era um homem que ajudava qualquer pessoa que aparecesse — exaltou Sheila, que passou cerca de 15 anos com Catra, mas teve que “sair da vida dele porque não ia aguentar vê-lo com muitas mulheres”.
Sheila estava acompanhada por Augusto César, um dos dois filhos que teve com Catra (ele é pai de 32, de diferentes mulheres).

— Era uma ótima pessoa, uma paizão, ajudava todo mundo. Vocês não têm noção do que ele era. Era um homem que ajudava qualquer pessoa que aparecesse — exaltou Sheila, que passou cerca de 15 anos com Catra, mas teve que “sair da vida dele porque não ia aguentar vê-lo com muitas mulheres”.

Silvia Regina Alves preferiu não sair. Foi companheira de Catra por 20 anos (metade de seus 40), teve cinco filhos com ele e cuida dos demais como se fossem dela. Ela e os rebentos vieram de São Paulo, de ônibus, acompanhando o caixão, que foi transportado por uma van.

— Imagina você chegar em casa e falar para 28 que o pai não vai estar mais? O Negão nunca teve medo da morte, enfrentava essa doença maldita como um leão, como ele mesmo dizia. Nunca se deixou abater — contou Silvia, que vai assumir a responsabilidade de cuidar da prole. — Ele deixou um pilar aqui, uma rocha. E estou preparada para o que der e vier.

Mais velho dos 32 filhos do músico, Alan Domingues, de 27 anos, estava com o pai no hospital no domingo, pouco antes de sua morte. — Ele falava que estava tudo bem, que ia sair dessa, sentia falta de estar em casa, com os filhos, de fazer shows… Estamos sem chão, mas fica o carinho, o amor, o respeito e aprendizados. Ele era um super paizão — reforçou.

O rapper Marcelo D2 contou que conheceu Catra em 1991. Os dois nasceram na mesma data (5 de novembro) e comemoraram mais de dez aniversários juntos. D2 falou com o amigo na última sexta-feira, através de uma ligação por vídeo direto do Hospital do Coração, onde o funkeiro estava internado.

— Ele já estava fraco, a família sofrendo, talvez tenha sido melhor descansar. Catra foi um cara super do bem, resolvido com as coisas dele. Cresceu no meio do funk, era respeitado pelo rap, pelo samba, por todo mundo. Uma fonte de luz gigante — lembrou D2, emocionado. Mãe e filho, Verônica e Jonathan Costa também marcaram presença na despedida. A vereadora foi às lágrimas diversas vezes ao lembrar do amigo.