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Brasileiros relatam 'inferno' de pegar Covid-19 nas prisões de imigrantes dos EUA

Segundo os dados do ICE, mais de 6.300 imigrantes presos tiveram a doença confirmada

12/10/2020 07h26
Por: Redação
Brasileiros relatam 'inferno' de pegar Covid-19 nas prisões de imigrantes dos EUA

Cansado de trabalhar “apenas para sobreviver” no Brasil, o carpinteiro Paulo Passos, 39, decidiu tentar uma vida melhor nos Estados Unidos no ano passado. Ele já havia morado “na América” de 2004 a 2015 e sabia o caminho para entrar, mesmo sem documentos. Acompanhado de um amigo, viajou até a fronteira do México com o Texas e atravessou no dia 26 de dezembro.

Ao chegar do outro lado, porém, foi pego pela polícia de fronteira. Passou seis meses detido em três prisões de imigração. Nesse período, estourou a pandemia de Covid-19.

Em pouco tempo, a emergência sanitária que Paulo acompanhava pela TV se materializou na cela onde ele estava, no Otero County Processing Center, no Novo México. Dos 32 detidos naquela sala no começo de maio, 23 tiveram diagnóstico de coronavírus, incluindo ele e outro brasileiro.

Pelos dados do ICE (departamento de imigração e controle de alfândega dos EUA), até 4 de outubro, 152 detidos ali tinham sido infectado —mais de 10% dos 1.089 que cabem no local.

Segundo Paulo, os cuidados preventivos foram falhos. Com beliches fixadas no chão, era impossível fazer distanciamento social. Máscaras só foram distribuídas dias após os primeiros casos.

A primeira contaminação sintomática em sua cela ocorreu em 1º de maio, quando um imigrante foi retirado passando mal e não voltou mais. Em seguida, um equatoriano teve febre de 40ºC por três dias, sem que nada fosse feito, segundo o brasileiro.

“Tivemos que nos rebelar e fazer greve de fome, pressionando para que o atendessem”, conta. O paciente foi para a clínica da prisão, onde passou 17 dias.

Com bronquite e um histórico de três pneumonias, Paulo ficou com medo de que seu pulmão fosse atingido pela Covid-19, mas o único sintoma que manifestou foi dor no peito.

Foi colocado em isolamento em uma das “salas do castigo”, como era chamada a solitária. Ficou lá por 12 dias, saindo só 20 minutos para tomar banho.

“Tudo o que eu falar é pouco para descrever o que passei lá”, diz. “Não tínhamos acesso a medicamentos, a banho de sol. Os guardas torturam a gente, nos tratam igual cachorro.”

Paulo foi deportado em um voo fretado pelo governo americano em 19 de junho, poucos dias depois de o Brasil ter se tornado o segundo país com mais mortes pela Covid-19 no mundo. O primeiro já eram os EUA.

Segundo os dados do ICE, mais de 6.300 imigrantes presos tiveram a doença confirmada —677 eram casos ativos no dia 4 de outubro. Oito morreram, dois deles de setembro para cá. Atualmente, há quase 20 mil detidos sob custódia da agência.

A agência afirmou que desde o início da pandemia tem protegido detentos e funcionários, com suspensão de visitas, distanciamento em refeições e ocupação dos centros limitada a 70%, com uma redução de 44% do número de presos entre março e agosto.

O comunicado afirma ainda que o ICE “sofreu impacto da pandemia” como outras agências e que os recursos para testagem eram limitados, mas o número de exames “cresceu significativamente” a partir de julho.

Para especialistas, os números divulgados pela agência são subestimados, devido à falta de testes e à não contagem de pessoas que se contaminam nas prisões, mas morrem após serem soltas. Segundo o Vera Institute of Justice, que criou um modelo epidemiológico simulando o comportamento da Covid-19 nesses centros de detenção, em maio o número de infectados podia ser até 15 vezes maior do que o oficial.

De acordo com o International Rescue Committee, a proporção de positivos nos testes feitos pelo ICE de fevereiro a agosto foi de 20%, até três vezes maior do que nos EUA em geral. Em uma prisão na Virgínia, o índice chegou a 80% dos detentos testados em julho.

 

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