Domingo, 29 de Novembro de 2020 16:19
75 99157-0203
Geral Artigo

Que sociedade queremos?

Vamos começar pela advocacia, onde um levantamento do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, de 2019

17/11/2020 16h37 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação
Que sociedade queremos?

No mês da Consciência Negra, precisamos falar sobre racismo num país em que 55% dos habitantes se autodeclaram negros, segundo o IBGE. Vamos começar pela advocacia, onde um levantamento do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, de 2019, apontou que os negros representavam 1% dos advogados de grandes escritórios.

 Na OAB, devemos discutir seriamente a representatividade dos advogados e advogadas negros nos cargos diretivos. Sabemos que a atual gestão, em âmbito federal e estadual, é sensível ao tema, e entende a necessidade da implementação de políticas afirmativas. A OAB tem um histórico de lutas contra desigualdades das mais diversas naturezas, e nada mais importante do que levar essa luta para “dentro de casa”. 

 Mas avancemos para além das questões de classe. Se queremos uma sociedade mais justa, é necessário sanar os abismos históricos que nos separam. Dados do IBGE mostram que, entre 2012 e 2018, a diferença de rendimento mensal entre brancos e negros caiu menos de 1%: de 57,3% para 56,6%. Os negros ocupam postos de trabalhos mais precários, são maioria nas atividades braçais e minorias em áreas que exigem maior qualificação, conforme o IBGE. 

 Precisamos falar sobre violência. A Rede de Observatórios da Segurança, aponta que, no Brasil, os negros são vítimas em 75% dos casos de morte em ações policiais. A mesma rede indica que 61% das vítimas de feminicídio são mulheres negras. Enquanto a taxa geral de homicídios é de 28 pessoas a cada 100 mil habitantes, entre homens negros de 19 a 24 anos é mais de 200 a cada 100 mil habitantes.

 O Estatuto da Igualdade Racial completou 10 anos em julho. Implantado 122 anos após a abolição da escravatura, o estatuto apresenta diretrizes para efetivar a inclusão social da população negra. Mesmo assim o racismo se mantém enquanto parte estrutural da sociedade. Cada vez mais, é necessário que políticas afirmativas se constituam para abalar essa estrutura, de forma a reparar injustiças históricas. 

É importante buscarmos exemplos positivos ao redor do mundo para reforçar que representatividade importa. Vamos lembrar do ator Chadwick Boseman, astro de Pantera Negra, morto em agosto, que fez uma revolução não apenas ao protagonizar um filme de super-herói, mas ao exigir também maior presença de negros no elenco e nas equipes de produção em Hollywood. No domingo, o piloto Lewis Hamilton conquistou o heptacampeonato, tornando-se o maior vencedor da Fórmula 1, um esporte majoritariamente branco. Dentro e fora das pistas, o piloto expõe o abismo existente entre brancos e negros, mostrando que lutar é preciso. Como diz a filósofa Angela Davis: “Numa sociedade racista não basta não ser racista. É preciso ser antirracista”.

Luiz Augusto Coutinho, advogado e Presidente da CAAB

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Feira de Santana - BA
Atualizado às 16h11 - Fonte: Climatempo
19°
Muitas nuvens

Mín. 17° Máx. 28°

19° Sensação
27.3 km/h Vento
43.7% Umidade do ar
90% (5mm) Chance de chuva
Amanhã (30/11)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 17° Máx. 29°

Sol e Chuva
Terça (01/12)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 17° Máx. 29°

Sol e Chuva
Ele1 - Criar site de notícias