
Neste sábado (10), celebra-se o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, data dedicada a um tema ainda cercado de desconhecimento e tabu: o cuidado com quem enfrenta doenças graves, sem possibilidade de cura. Diferente do que muitos imaginam, cuidados paliativos não são "desistir", e sim aliviar a dor e o sofrimento em todas as suas dimensões: física, psicológica, social e espiritual, devolvendo qualidade de vida ao paciente e acolhimento à família. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 20 milhões de pessoas no mundo precisam desse cuidado a cada ano.
A enfermeira Jayanne Carneiro destaca que os cuidados paliativos são uma abordagem de cuidado voltada para pessoas que enfrentam doenças graves, progressivas ou que ameaçam a vida. O objetivo é promover qualidade de vida, conforto e dignidade, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também os aspectos emocionais, sociais e espirituais do paciente e de sua família. "Cuidados paliativos não significam desistir ou abandonar o paciente. Pelo contrário, significa cuidar de forma integral, buscando aliviar o sofrimento e respeitar as necessidades, os valores e as escolhas daquela pessoa."
Ainda existe uma associação equivocada entre cuidados paliativos e "não há mais nada a fazer". "E há, sim, muito a fazer", afirma Jayanne. Falar sobre o tema é uma forma de ampliar o acesso à informação e mostrar que todo paciente merece ser cuidado com conforto, respeito e dignidade, independentemente da fase da doença. Além disso, discutir cuidados paliativos ajuda pacientes e famílias a compreenderem melhor as possibilidades de cuidado e a participarem das decisões relacionadas ao tratamento.
"Ainda há bastante desconhecimento, inclusive entre pacientes e familiares. Muitas pessoas entendem cuidados paliativos como sinônimo de morte iminente ou de suspensão do tratamento, o que não corresponde à proposta dessa abordagem. Precisamos mudar a forma como falamos sobre o assunto. Cuidados paliativos são sobre cuidar da pessoa em todas as dimensões e proporcionar a melhor qualidade de vida possível diante de uma condição de saúde grave", explica.
Quando devem começar?
Os cuidados paliativos podem e, em muitas situações, devem ser introduzidos precocemente, desde o diagnóstico de uma doença grave ou potencialmente ameaçadora da vida. Eles podem caminhar junto com tratamentos destinados ao controle ou à modificação da doença. Jayanne destaca que enquanto a equipe médica busca tratar a doença, a equipe de cuidados paliativos pode atuar, por exemplo, no controle da dor, da falta de ar, das náuseas, da ansiedade e de outros sintomas, além de oferecer suporte ao paciente e à família.
Quais doenças demandam esse cuidado?
Jayanne Carneiro, que é coordenadora do curso de Enfermagem da Estácio, informou que o câncer é uma das condições mais conhecidas, mas os cuidados paliativos não se restringem aos pacientes oncológicos. Segundo ela, eles podem ser necessários em situações como doenças cardíacas avançadas, doenças respiratórias crônicas, doenças neurológicas progressivas, demências, insuficiência renal ou hepática avançada, entre outras condições graves e progressivas. Também podem ser indicados para pacientes que apresentam sintomas complexos, sofrimento importante ou necessidades que exigem uma abordagem multidisciplinar, independentemente do diagnóstico específico.
O papel da enfermagem
A enfermagem tem um papel fundamental nesse cuidado porque está muito próxima do paciente e consegue acompanhar continuamente suas necessidades e mudanças clínicas. Jayanne informa que o enfermeiro realiza uma avaliação sistemática da dor e de outros sintomas, observa alterações no estado físico e emocional, administra medicamentos prescritos, monitora respostas e possíveis efeitos adversos e comunica à equipe multiprofissional quando é necessário ajustar a conduta.