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Educação EAD

Breve histórico da educação à distancia no Brasil e o seu uso durante a pandemia

No Brasil, o desenvolvimento da EAD tem seu início no século XX, em decorrência do iminente processo de industrialização cuja trajetória gerou uma demanda por políticas educacionais

19/10/2020 10h58
Por: Redação
Breve histórico da educação à distancia no Brasil e o seu uso durante a pandemia

Até onde se sabe os primeiros indícios de utilização da Educação a Distância remontam ao século XVIII, quando um curso por correspondência foi oferecido por uma instituição de Boston (EUA). A partir do século XIX os cursos por correspondência se multiplicaram por vários países europeus. Entretanto, apenas na segunda metade do século XX é que a educação à distância começou a tomar corpo.

         No Brasil, o desenvolvimento da EAD tem seu início no século XX, em decorrência do iminente processo de industrialização cuja trajetória gerou uma demanda por políticas educacionais que formassem o trabalhador para a ocupação industrial. Dentro desse contexto, a Educação a Distância surge como uma alternativa para atender à demanda, principalmente através de meios radiofônicos, o que permitiria a formação dos trabalhadores do meio rural sem a necessidade de deslocamento para os centros urbanos.

         Em 1977 é criado o Telecurso 2º grau e nem 1981 o Telecurso do 1º grau, através de uma parceria da Fundação Padre Anchieta (mantenedora da TV Cultura) e Fundação Roberto Marinho (mantenedora da TV Globo). Seu foco era a preparação de alunos para exames supletivos do 1º e 2º grau, em 1995 a FIESP em parceria com a Fundação Roberto Marinho laçaram o Telecurso 2000 que exibia aulas de cursos profissionalizantes como mecânica, administração e gestão de pessoas e ficou no até 2008. As aulas eram exibidas pela Rede Globo, TV Cultura, Canal Futura, TV Brasil, TV Aparecida e Rede Vida. Depois de algumas reformulações desde 2014 deixou de ser exibido na Globo, mas continuou em outros canais e passou a ser exibido em site e um canal próprio do You Tube com o nome de Novo Telecurso inclusive com programação específica para aulas durante o período da pandemia.  

         E como não se lembrar do saudoso Instituto Universal Brasileiro fundado em 1941 e na ativa até os dias atuais com seus cursos profissionalizantes por correspondência que chegou a ter 200 mil alunos na década de 60 ele faz parte da primeira geração da educação à distância, o ensino por correspondência, caracterizado pelo material impresso e distribuído por meio de empresas de Correios. O mesmo ainda mantém vários cursos neste formato no qual o aluno recebe as apostilas e atividades pelos Correios e os reenvia ao final do período e possui também diversos outros cursos em plataformas digitais.

        Atualmente através da internet existe uma oferta generosa de cursos que podem ser feitos à distância através das plataformas de digitais fazendo uso de textos, animações, vídeos e etc. cursos nas mais diversas áreas do conhecimento, bem como níveis partindo de cursos de aperfeiçoamento e profissionalizantes, cursos de ensino fundamental e médio, técnicos, graduação, pós-graduação e por fim a portaria 275 do MEC – Ministério da Educação de 12/2018 autorizou os cursos mestrado e doutorado na modalidade EAD. Os cursos à distância viraram um grande negócio para alguns e uma grande oportunidade para outros, já que geralmente essa modalidade de ensino possui um valor mais acessível proporcionando o acesso de pessoas de baixo poder aquisitivo. Durante a pandemia muitas plataformas de ensino ofertaram cursos gratuitos como uma forma de auxílio à população que precisou fazer um confinamento forçado, eu diria até que de forma exagerada e arbitrária, obedecendo aos decretos dos “pequenos reis absolutistas”, neste período muitos aproveitaram para se atualizar e outros ficaram apenas nas redes sociais e na Netflix, está é sem dúvida amor razão do baixo desempenho dos estudantes brasileiros.

      Diante da oferta e dos preços praticados eu diria que atualmente a educação à distância até certo ponto democratizou o ensino no Brasil nos mais diversos seguimentos e fases da educação. São poucas às pessoas que realmente não tem a possibilidade de acesso. A dificuldade maior está na motivação e interesse de muitos e não necessariamente nas dificuldades relacionados à acessibilidade, conforme citado acima as pessoas estão distraídas com entretenimento e procuram justificativas e culpados para o seu fracasso.

 

Diferenças entre aulas EAD e aulas remotas.

         Segundo alguns pesquisadores existem diferenças entre a educação à distância e as aulas remotas. As aulas EAD possuem metodologia de ensino e materiais específicos para esta modalidade, com aulas gravadas previamente, que o aluno assiste em uma plataforma adequada para o formato e tem o acompanhamento contínuo de tutores na realização das atividades e suporte do docente para tirar dúvidas e realizar as avaliações.

         Já no “Regime Remoto Temporário”, formato que foi adotado excepcionalmente, neste momento, as aulas acontecem ao vivo, por videoconferência, fazendo uso de plataformas como o Google Meet e o Zoom nos dias e horários habituais, com o auxílio de ferramentas tecnológicas as (TIC’s) Tecnologias de Informação e Comunicação, e são disponibilizadas em arquivos gravados. Assim, o aluno tem contato direto com seus colegas e com o seu professor, que está presente em todo o processo de ensino-aprendizagem, aproximando-se ao máximo das aulas presenciais que praticamos.

         Em tese a educação a distância seria uma aula gravada e materiais enviados e as aulas remotas seria uma aula normal só que não é presencial, mas é transferida por vídeo conferência. No entanto é possível que as duas modalidades sejam usadas simultaneamente o chamado ensino híbrido o qual se caracteriza pela combinação “mistura” de diversas modalidades, plataformas e até encontros presenciais quando possível. 

 

Aulas remotas durante a pandemia: escolas privadas x escolas públicas

          Os decretos de fechamentos das escolas começaram no Brasil a partir do meado do mês de março, as escolas privadas saltaram na frente tomando a iniciativa e colocando em prática as aulas não presenciais fazendo o uso dos recursos tecnológicos disponíveis na atualidade. É notória a facilidade com que as escolas privadas conseguiram avançar nesse processo com mais agilidade, isso se deve por várias razões, sendo que a principal está relacionada ao público por elas atendido que naturalmente é composto por pessoas com um poder aquisitivo mais elevado, sendo assim podemos dizer que as escolas particulares atendem a classe mais abastada da população brasileira, possuindo assim as ferramentas necessárias (computador, tablet, smartphone e internet banda larga) a efetivação do ensino remoto. Outro fator importante neste processo é que houve uma cobrança dos pais e/ou responsáveis já que estão pagando a mensalidade alguma coisa precisa ser feita e assim as escolas para evitar a perda de receita procurou agilizar o ensino remoto.

          É bom lembrar que boa parte das escolas particulares são de pequeno e médio porte e estão em grandes apuros financeiros devido ao fechamento, no qual a inadimplência cresceu exponencialmente e levando muitas ao fechamento definitivo, ou seja, falência. 

          Na outra ponta as escolas públicas tanto municipais como estaduais estão penando na tentativa de executar o ensino remoto, lembrando que as secretarias estaduais e municipais gozam de autonomia para fazer o que for mais adequado para a sua região, tendo o Ministério da Educação a jurisdição apenas sobre o ensino superior. Ficando os estados com o ensino médio e os municípios com a educação infantil e ensino fundamental, embora por muitas vezes a União, Estado e Municípios atendam outras esferas do ensino a além daquela que é de sua alçada atendendo assim a necessidades específicas como prevê o Art. 8º da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino.

         Os Estados e Municípios protelaram por muito tempo o ensino remoto, talvez na expectativa e esperança de uma volta às aulas presenciais de uma forma mais rápida, não se imaginava as escolas fechadas por tanto tempo, já perdurando aí por quase sete meses (em algumas regiões) já que maioria dos decretos de fechamentos se deu a partir da segunda quinzena de março. Por esta razão os decretos estão sendo editados a conta gotas, para reavaliar uma volta às aulas presenciais que até o momento não se efetivou na maioria dos Estados brasileiros.

            Alguns Estados se anteciparam e deu logo o veredicto validando as aulas remotas como carga horária como é o caso do Paraná que iniciou as aulas remotas em 1º de abril, segundo dados da Secretaria de Educação local o sistema foi implantado com sucesso e que apenas 1% dos alunos não tem participado efetivamente das aulas que estão sendo oferecidas em diversas frentes, atividades impressas, aulas pela TV e outros recursos digitais. 

           O Estado de Sergipe que após um início voluntário se organizou um sistema efetivo e validado pela Secretaria de Educação local como carga horária efetiva para o cumprimento do ano letivo, ficando acertado que 25% das 800 horas obrigatórias anuais podem ser cumpridas à distância, no entanto isso só veio a ocorrer em meados de junho, ou seja, três meses após a suspensão das aulas, em 03/08/2020 houve a publicação de uma portaria da Seduc – Secretaria de Educação alterando o percentual das aulas remotas para 50%. No dia 15 de outubro de 2020 a SEDUC publicou mais uma portaria autorizando a oferta de 100% da carga horária de forma remota. (Ver trechos das portarias abaixo)

Portaria nº 3017/2020 de 03 de agosto de 2020 “Art. 4º - As Atividades Escolares Não Presenciais poderão ser ofertadas, no máximo, ao equivalente a 50% (cinquenta por cento) da carga horária total, estabelecida na Matriz Curricular da Instituição Educacional, aprovada para o ano letivo de 2020.

 Portaria nº 4025/2020 “Art. 4º - As Atividades Escolares Não Presenciais poderão ser ofertadas, ao equivalente a 100% (cem por cento) da carga horária total, estabelecida na Matriz Curricular da Instituição Educacional, aprovada para o ano letivo de 2020.

            Já em outros Estados como a Bahia até então as aulas são apenas uma maneira de manter o aluno na ativa, mas não estão sendo contabilizadas como carga horária obrigatória. No dia 03 de setembro de 2020 o governador do Estado Rui Costa falou em entrevista amplamente divulgada em vários meios de comunicação que as escolas estaduais terão aulas todos os sábados e não terá recesso no final desta forma o ano letivo de 2020 se encerraria em fevereiro de 2021, porém o mesmo se limitou a dar esse esclarecimento sem definir uma data para a volta ás aulas.

          Lembrando que em 01/04/2020, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Medida Provisória (MP) 934/2020, segundo a qual, diante da situação de calamidade pública por qual passa o país, todas as redes de educação básica ficam desobrigadas de cumprir o mínimo de 200 dias de efetivo trabalho escolar, desde que cumprida à carga horária mínima anual de 800 horas ou a estabelecida pelos respectivos sistemas de ensino.

         Medida Provisória (MP) 934/2020 Art. 1º O estabelecimento de ensino de educação básica fica dispensado, em caráter excepcional, da obrigatoriedade de observância ao mínimo de dias de efetivo trabalho escolar, nos termos do disposto no inciso I do caput e no § 1º do art. 24 e no inciso II do caput do art. 31 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, desde que cumprida a carga horária mínima anual estabelecida nos referidos dispositivos, observadas as normas a serem editadas pelos respectivos sistemas de ensino.

          Em resumo podemos dizer que às 800 horas deverão acontecer de uma forma ou de outra, seja on-line, presencial ou os dois, o decreto “perdoa” apenas o descumprimento obrigatório dos 200 dias letivos, mas sem prejuízo a carga horária mínima de 800 horas anuais. 

 

Conclusão

         Não é difícil perceber a superioridade das escolas privadas frente às públicas e não difícil prevê os resultados posteriores, fica óbvio deduzir que os alunos das escolas particulares ficarão quilômetros à frente das escolas públicas após a pandemia e isso terá reflexos na continuidade dos estudos, exames para vestibulares e Enem, aprovação em futuros concursos públicos e no mercado de trabalho de uma forma geral, o qual a competitividade será desleal já que os alunos de escolas privadas estarão infinitamente mais preparados se já havia desigualdades antes a tendência infelizmente é piorar.  

        Muitos acreditam que o notório insucesso da escola pública no Brasil está relacionado apenas a investimentos financeiros (Já mostrei em outro artigo que os investimentos em educação são suficientes para uma educação de qualidade) não tenho dúvidas que esse insucesso está relacionado sobretudo por uma gestão extremamente burocrática e politizada. Burocrática porque nenhum diretor de escola pode se mover sem uma portaria das respectivas secretarias inviabilizando um trabalho mais efetivo e aplicado a realidade da escola e sua comunidade. Politizada porque a volta do ensino presencial tem sofrido inúmeras resistências de sindicatos, mesmo que as pessoas corram riscos ainda maiores em diversas atividades já normalizadas a muito tempo.

          Sendo assim ainda teremos muito que penar com esse ensino remoto precário e com pouquíssimas chances de sucesso, esperamos a sensibilidades dos “pequenos reis”, (governadores/prefeitos) autorizarem a reabertura das escolas para a prática do ensino presencial que não é muito boa, mas que conseguiram piorar bastante com o ensino remoto. 

 

 

Reinaldo Valverde Pereira, o professor Valverde é Cristão Evangélico. Detém os cursos de Licenciatura em História e Bacharel em Teologia, possui ainda formação profissionalizante em Comunicação Oral & Escrita e Jornalismo Digital e é autodidata em empreendedorismo. É Entusiasta do Conservadorismo e do Liberalismo Econômico. Dispõe de uma vasta experiência em docência com passagens pelo ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos. Atuou como professor da Rede Privada de Salvador e atualmente é professor da Rede Estadual de Sergipe, além de escrever periódicos, sendo colunista de vários portais de notícias de todo o Brasil escrevendo sobre diversos temas.

 

Instagram: @professor.valverde  twitter: @profvalverde

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